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CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 14 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos a Mensagem do Papa Bento XVI para a XXVI Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Madri, em agosto de 2011. O texto, difundido agora em português pela Santa Sé, fora publicado a 3 de setembro.
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«Enraizados e edificados n’Ele… firmes na fé» (cf. Cl 2, 7).
Queridos amigos!
Penso com frequência na Jornada Mundial da Juventude de Sidney de 2008. Lá vivemos uma grande festa da fé, durante a qual o Espírito de Deus agiu com força, criando uma comunhão intensa entre os participantes, que vieram de todas as partes do mundo. Aquele encontro, assim como os precedentes, deu frutos abundantes na vida de numerosos jovens e de toda a Igreja. Agora, o nosso olhar dirige-se para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que terá lugar em Madrid em Agosto de 2011. Já em 1989, poucos meses antes da histórica derrocada do Muro de Berlim, a peregrinação dos jovens fez etapa na Espanha, em Santiago de Compostela. Agora, num momento em que a Europa tem grande necessidade de reencontrar as suas raízes cristãs, marcamos encontro em Madrid, com o tema: «Enraizados e edificados em Cristo… firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). Por conseguinte, convido-vos para este encontro tão importante para a Igreja na Europa e para a Igreja universal. E gostaria que todos os jovens, quer os que compartilham a nossa fé em Jesus Cristo, quer todos os que hesitam, que estão na dúvida ou não crêem n’Ele, possam viver esta experiência, que pode ser decisiva para a vida: a experiência do Senhor Jesus ressuscitado e vivo e do seu amor por todos nós.
Na nascente das vossas maiores aspirações!
1. Em todas as épocas, também nos nossos dias, numerosos jovens sentem o desejo profundo de que as relações entre as pessoas sejam vividas na verdade e na solidariedade. Muitos manifestam a aspiração por construir relacionamentos de amizade autêntica, por conhecer o verdadeiro amor, por fundar uma família unida, por alcançar uma estabilidade pessoal e uma segurança real, que possam garantir um futuro sereno e feliz. Certamente, recordando a minha juventude, sei que estabilidade e segurança não são as questões que ocupam mais a mente dos jovens. Sim, a procura de um posto de trabalho e com ele poder ter uma certeza é um problema grande e urgente, mas ao mesmo tempo a juventude permanece contudo a idade na qual se está em busca da vida maior. Se penso nos meus anos de então: simplesmente não nos queríamos perder na normalidade da vida burguesa. Queríamos o que é grande, novo. Queríamos encontrar a própria vida na sua vastidão e beleza. Certamente, isto dependia também da nossa situação. Durante a ditadura nacional-socialista e durante a guerra nós fomos, por assim dizer, «aprisionados» pelo poder dominante. Por conseguinte, queríamos sair fora para entrar na amplidão das possibilidades do ser homem. Mas penso que, num certo sentido, todas as gerações sentem este impulso de ir além do habitual. Faz parte do ser jovem desejar algo mais do que a vida quotidiana regular de um emprego seguro e sentir o anseio pelo que é realmente grande. Trata-se apenas de um sonho vazio que esvaece quando nos tornamos adultos? Não, o homem é verdadeiramente criado para aquilo que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa é insuficiente. Santo Agostinho tinha razão: o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em Ti. O desejo da vida maior é um sinal do facto que foi Ele quem nos criou, de que temos a Sua «marca». Deus é vida, e por isso todas as criaturas tendem para a vida; de maneira única e especial a pessoa humana, feita à imagem de Deus, aspira pelo amor, pela alegria e pela paz. Compreendemos então que é um contra-senso pretender eliminar Deus para fazer viver o homem! Deus é a fonte da vida; eliminá-lo equivale a separar-se desta fonte e, inevitavelmente, a privar-se da plenitude e da alegria: «De facto, sem o Criador a criatura esvaece» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. Gaudium et spes, 36). A cultura actual, nalgumas áreas do mundo, sobretudo no Ocidente, tende a excluir Deus, ou a considerar a fé como um facto privado, sem qualquer relevância para a vida social. Mas o conjunto de valores que estão na base da sociedade provém do Evangelho — como o sentido da dignidade da pessoa, da solidariedade, do trabalho e da família — constata-se uma espécie de «eclipse de Deus», uma certa amnésia, ou até uma verdadeira rejeição do Cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de perder a própria identidade profunda.
Por este motivo, queridos amigos, convido-vos a intensificar o vosso caminho de fé em Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Vós sois o futuro da sociedade e da Igreja! Como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos da cidade de Colossos, é vital ter raízes, bases sólidas! E isto é particularmente verdadeiro hoje, quando muitos não têm pontos de referência estáveis para construir a sua vida, tornando-se assim profundamente inseguros. O relativismo difundido, segundo o qual tudo equivale e não existe verdade alguma, nem qualquer ponto de referência absoluto, não gera a verdadeira liberdade, mas instabilidade, desorientação, conformismo às modas do momento. Vós jovens tendes direito de receber das gerações que vos precedem pontos firmes para fazer as vossas opções e construir a vossa vida, do mesmo modo como uma jovem planta precisa de um sólido apoio para que as raízes cresçam, para se tornar depois uma árvore robusta, capaz de dar fruto.
Enraizados e fundados em Cristo
2. Para ressaltar a importância da fé na vida dos crentes, gostaria de me deter sobre cada uma das três palavras que São Paulo usa nesta sua expressão: «Enraizados e fundados em Cristo… firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). Nela podemos ver três imagens: «enraizado» recorda a árvore e as raízes que a alimentam; «fundado» refere-se à construção de uma casa; «firme» evoca o crescimento da força física e moral. Trata-se de imagens muito eloquentes. Antes de as comentar, deve-se observar simplesmente que no texto original as três palavras, sob o ponto de vista gramatical, estão no passivo: isto significa que é o próprio Cristo quem toma a iniciativa de radicar, fundar e tornar firmes os crentes.
A primeira imagem é a da árvore, firmemente plantada no solo através das raízes, que a tornam estável e a alimentam. Sem raízes, seria arrastada pelo vento e morreria. Quais são as nossas raízes? Naturalmente, os pais, a família e a cultura do nosso país, que são uma componente muito importante da nossa identidade. A Bíblia revela outra. O profeta Jeremias escreve: «Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. É como a árvore plantada perto da água, a qual estende as raízes para a corrente; não teme quando vem o calor, a sua folhagem fica sempre verdejante. Não a inquieta a seca de um ano; continua a produzir frutos» (Jr 17, 7-8). Estender as raízes, para o profeta, significa ter confiança em Deus. D’Ele obtemos a nossa vida; sem Ele não poderíamos viver verdadeiramente. «Deus deu-nos a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho» (1 Jo 5, 11). O próprio Jesus apresenta-se como nossa vida (cf. Jo 14, 6). Por isso a fé cristã não é só crer em verdades, mas é antes de tudo uma relação pessoal com Jesus Cristo, é o encontro com o Filho de Deus, que dá a toda a existência um novo dinamismo. Quando entramos em relação pessoal com Ele, Cristo revela-nos a nossa identidade e, na sua amizade, a vida cresce e realiza-se em plenitude. Há um momento, quando somos jovens, em que cada um de nós se pergunta: que sentido tem a minha vida, que finalidade, que orientação lhe devo dar? É uma fase fundamental, que pode perturbar o ânimo, às vezes também por muito tempo. Pensa-se no tipo de trabalho a empreender, quais relações sociais estabelecer, que afectos desenvolver… Neste contexto, penso de novo na minha juventude. De certa forma muito cedo tive a consciência de que o Senhor me queria sacerdote. Mais tarde, depois da Guerra, quando no seminário e na universidade eu estava a caminho para esta meta, tive que reconquistar esta certeza. Tive que me perguntar: é este verdadeiramente o meu caminho? É deveras esta a vontade do Senhor para mim? Serei capaz de Lhe permanecer fiel e de estar totalmente disponível para Ele, ao Seu serviço? Uma decisão como esta deve ser também sofrida. Não pode ser de outra forma. Mas depois surgiu a certeza: é bem assim! Sim, o Senhor quer-me, por isso também me dará a força. Ao ouvi-Lo, ao caminhar juntamente com Ele torno-me deveras eu mesmo. Não conta a realização dos meus próprios desejos, mas a Sua vontade. Assim a vida torna-se autêntica.
Tal como as raízes da árvore a mantêm firmemente plantada na terra, também os fundamentos dão à casa uma estabilidade duradoura. Mediante a fé, nós somos fundados em Cristo (cf. Cl 2, 7), como uma casa é construída sobre os fundamentos. Na história sagrada temos numerosos exemplos de santos que edificaram a sua vida sobre a Palavra de Deus. O primeiro foi Abraão. O nosso pai na fé obedeceu a Deus que lhe pedia para deixar a casa paterna a fim de se encaminhar para uma terra desconhecida. «Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça e foi chamado amigo de Deus» (Tg 2, 23). Estar fundados em Cristo significa responder concretamente à chamada de Deus, confiando n’Ele e pondo em prática a sua Palavra. O próprio Jesus admoesta os seus discípulos: «Porque me chamais: “Senhor, Senhor” e não fazeis o que Eu digo?» (Lc 6, 46). E, recorrendo à imagem da construção da casa, acrescenta: «todo aquele que vem ter Comigo, escuta as Minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa: Cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio a inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa e não pôde abalá-la por ter sido bem construída» (Lc 6, 47-48).
Queridos amigos, construí a vossa casa sobre a rocha, como o homem que «cavou muito profundamente». Procurai também vós, todos os dias, seguir a Palavra de Cristo. Senti-O como o verdadeiro Amigo com o qual partilhar o caminho da vossa vida. Com Ele ao vosso lado sereis capazes de enfrentar com coragem e esperança as dificuldades, os problemas, também as desilusões e as derrotas. São-vos apresentadas continuamente propostas mais fáceis, mas vós mesmos vos apercebeis que se revelam enganadoras, que não vos dão serenidade e alegria. Só a Palavra de Deus nos indica o caminho autêntico, só a fé que nos foi transmitida é a luz que ilumina o caminho. Acolhei com gratidão este dom espiritual que recebestes das vossas famílias e comprometei-vos a responder com responsabilidade à chamada de Deus, tornando-vos adultos na fé. Não acrediteis em quantos vos dizem que não tendes necessidade dos outros para construir a vossa vida! Ao contrário, apoiai-vos na fé dos vossos familiares, na fé da Igreja, e agradecei ao Senhor por a ter recebido e feito vossa!
Firmes na fé
3. «Enraizados e fundados em Cristo… firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). A Carta da qual é tirado este convite, foi escrita por São Paulo para responder a uma necessidade precisa dos cristãos da cidade de Colossos. Com efeito, aquela comunidade estava ameaçada pela influência de determinadas tendências culturais da época, que afastavam os fiéis do Evangelho. O nosso contexto cultural, queridos jovens, tem numerosas analogias com o tempo dos Colossenses daquela época. De facto, há uma forte corrente de pensamento laicista que pretende marginalizar Deus da vida das pessoas e da sociedade, perspectivando e tentando criar um «paraíso» sem Ele. Mas a experiência ensina que o mundo sem Deus se torna um «inferno»: prevalecem os egoísmos, as divisões nas famílias, o ódio entre as pessoas e entre os povos, a falta de amor, de alegria e de esperança. Ao contrário, onde as pessoas e os povos acolhem a presença de Deus, o adoram na verdade e ouvem a sua voz, constrói-se concretamente a civilização do amor, na qual todos são respeitados na sua dignidade, cresce a comunhão, com os frutos que ela dá. Contudo existem cristãos que se deixam seduzir pelo modo de pensar laicista, ou são atraídos por correntes religiosas que afastam da fé em Jesus Cristo. Outros, sem aderir a estas chamadas, simplesmente deixaram esmorecer a sua fé, com inevitáveis consequências negativas a nível moral.
Aos irmãos contagiados por ideias alheias ao Evangelho, o apóstolo Paulo recorda o poder de Cristo morto e ressuscitado. Este mistério é o fundamento da nossa vida, o centro da fé cristã. Todas as filosofias que o ignoram, que o consideram «escândalo» (1 Cor 1, 23), mostram os seus limites diante das grandes perguntas que habitam o coração do homem. Por isso também eu, como Sucessor do apóstolo Pedro, desejo confirmar-vos na fé (cf. Lc 22, 32). Nós cremos firmemente que Jesus Cristo se ofereceu na Cruz para nos doar o seu amor; na sua paixão, carregou os nossos sofrimentos, assumiu sobre si os nossos pecados, obteve-nos o perdão e reconciliou-nos com Deus Pai, abrindo-nos o caminho da vida eterna. Deste modo fomos libertados do que mais entrava a nossa vida: a escravidão do pecado, e podemos amar a todos, até os inimigos, e partilhar este amor com os irmãos mais pobres e em dificuldade.
Queridos amigos, muitas vezes a Cruz assusta-nos, porque parece ser a negação da vida. Na realidade, é o contrário! Ela é o «sim» de Deus ao homem, a expressão máxima do seu amor e a nascente da qual brota a vida eterna. De facto, do coração aberto de Jesus na cruz brotou esta vida divina, sempre disponível para quem aceita erguer os olhos para o Crucificado. Portanto, não posso deixar de vos convidar a aceitar a Cruz de Jesus, sinal do amor de Deus, como fonte de vida nova. Fora de Cristo morto e ressuscitado, não há salvação! Só Ele pode libertar o mundo do mal e fazer crescer o Reino de justiça, de paz e de amor pelo qual todos aspiram.
Crer em Jesus Cristo sem o ver
4. No Evangelho é-nos descrita a experiência de fé do apóstolo Tomé ao acolher o mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo. Tomé faz parte dos Doze apóstolos; seguiu Jesus; foi testemunha directa das suas curas, dos milagres; ouviu as suas palavras; viveu a desorientação perante a sua morte. Na noite de Páscoa o Senhor apareceu aos discípulos, mas Tomé não estava presente, e quando lhe foi contado que Jesus estava vivo e se mostrou, declarou: «Se eu não vir o sinal dos cravos nas Suas mãos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e não meter a mão no Seu lado, não acreditarei» (Jo 20, 25).
Também nós gostaríamos de poder ver Jesus, de poder falar com Ele, de sentir ainda mais forte a sua presença. Hoje para muitos, o acesso a Jesus tornou-se difícil. Circulam tantas imagens de Jesus que se fazem passar por científicas e O privam da sua grandeza, da singularidade da Sua pessoa. Portanto, durante longos anos de estudo e meditação, maturou em mim o pensamento de transmitir um pouco do meu encontro pessoal com Jesus num livro: quase para ajudar a ver, a ouvir, a tocar o Senhor, no qual Deus veio ao nosso encontro para se dar a conhecer. De facto, o próprio Jesus aparecendo de novo aos discípulos depois de oito dias, diz a Tomé: «Chega aqui o teu dedo e vê as Minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no Meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente» (Jo 20, 27). Também nós temos a possibilidade de ter um contacto sensível com Jesus, meter, por assim dizer, a mão nos sinais da sua Paixão, os sinais do seu amor: nos Sacramentos Ele torna-se particularmente próximo de nós, doa-se a nós. Queridos jovens, aprendei a «ver», a «encontrar» Jesus na Eucaristia, onde está presente e próximo até se fazer alimento para o nosso caminho; no Sacramento da Penitência, no qual o Senhor manifesta a sua misericórdia ao oferecer-nos sempre o seu perdão. Reconhecei e servi Jesus também nos pobres, nos doentes, nos irmãos que estão em dificuldade e precisam de ajuda.
Abri e cultivai um diálogo pessoal com Jesus Cristo, na fé. Conhecei-o mediante a leitura dos Evangelhos e do Catecismo da Igreja Católica; entrai em diálogo com Ele na oração, dai-lhe a vossa confiança: ele nunca a trairá! «Antes de mais, a fé é uma adesão pessoal do homem a Deus. Ao mesmo tempo, e inseparavelmente, é o assentimento livre a toda a verdade revelada por Deus» (Catecismo da Igreja Católica, n. 150). Assim podereis adquirir uma fé madura, sólida, que não estará unicamente fundada num sentimento religioso ou numa vaga recordação da catequese da vossa infância. Podereis conhecer Deus e viver autenticamente d’Ele, como o apóstolo Tomé, quando manifesta com força a sua fé em Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!».
Amparados pela fé da Igreja para ser testemunhas
5. Naquele momento Jesus exclama: «Porque Me viste, acreditaste. Bem-aventurados os que, sem terem visto, acreditaram!» (Jo 20, 29). Ele pensa no caminho da Igreja, fundada sobre a fé das testemunhas oculares: os Apóstolos. Compreendemos então que a nossa fé pessoal em Cristo, nascida do diálogo com Ele, está ligada à fé da Igreja: não somos crentes isolados, mas, pelo Baptismo, somos membros desta grande família, e é a fé professada pela Igreja que dá segurança à nossa fé pessoal. O credo que proclamamos na Missa dominical protege-nos precisamente do perigo de crer num Deus que não é o que Jesus nos revelou: «Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sem ser motivado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para guiar os outros na fé» (Catecismo da Igreja Católica, n. 166). Agradeçamos sempre ao Senhor pelo dom da Igreja; ela faz-nos progredir com segurança na fé, que nos dá a vida verdadeira (cf. Jo 20, 31).
Na história da Igreja, os santos e os mártires hauriram da Cruz gloriosa de Cristo a força para serem fiéis a Deus até à doação de si mesmos; na fé encontraram a força para vencer as próprias debilidades e superar qualquer adversidade. De facto, como diz o apóstolo João, «Quem é que vence o mundo senão aquele que crê que Jesus é Filho de Deus?» (1 Jo 5, 5). E a vitória que nasce da fé é a do amor. Quantos cristãos foram e são um testemunho vivo da força da fé que se exprime na caridade; foram artífices de paz, promotores de justiça, animadores de um mundo mais humano, um mundo segundo Deus; comprometeram-se nos vários âmbitos da vida social, com competência e profissionalidade, contribuindo de modo eficaz para o bem de todos. A caridade que brota da fé levou-os a dar um testemunho muito concreto, nas acções e nas palavras: Cristo não é um bem só para nós próprios, é o bem mais precioso que temos para partilhar com os outros. Na era da globalização, sede testemunhas da esperança cristã em todo o mundo: são muitos os que desejam receber esta esperança! Diante do sepulcro do amigo Lázaro, morto havia quatro dias, Jesus, antes de o chamar de novo à vida, disse à sua irmã Marta: «Se acreditasses, verias a glória de Deus» (cf. Jo 11, 40). Também vós, se acreditardes, se souberdes viver e testemunhar a vossa fé todos os dias, tornar-vos-eis instrumentos para fazer reencontrar a outros jovens como vós o sentido e a alegria da vida, que nasce do encontro com Cristo!
Rumo à Jornada Mundial de Madrid
6. Queridos amigos, renovo-vos o convite a ir à Jornada Mundial da Juventude a Madrid. É com profunda alegria que espero cada um de vós pessoalmente: Cristo quer tornar-vos firmes na fé através a Igreja. A opção de crer em Cristo e de O seguir não é fácil; é dificultada pelas nossas infidelidades pessoais e por tantas vozes que indicam caminhos mais fáceis. Não vos deixeis desencorajar, procurai antes o apoio da Comunidade cristã, o apoio da Igreja! Ao longo deste ano preparai-vos intensamente para o encontro de Madrid com os vossos Bispos, os vossos sacerdotes e os responsáveis da pastoral juvenil nas dioceses, nas comunidades paroquiais, nas associações e nos movimentos. A qualidade do nosso encontro dependerá sobretudo da preparação espiritual, da oração, da escuta comum da Palavra de Deus e do apoio recíproco.
Amados jovens, a Igreja conta convosco! Precisa da vossa fé viva, da vossa caridade e do dinamismo da vossa esperança. A vossa presença renova a Igreja, rejuvenesce-a e confere-lhe renovado impulso. Por isso as Jornadas Mundiais da Juventude são uma graça não só para vós, mas para todo o Povo de Deus. A Igreja na Espanha está a preparar-se activamente para vos receber e para viver juntos a experiência jubilosa da fé. Agradeço às dioceses, às paróquias, aos santuários, às comunidades religiosas, às associações e aos movimentos eclesiais, que trabalham com generosidade na preparação deste acontecimento. O Senhor não deixará de os abençoar. A Virgem Maria acompanhe este caminho de preparação. Ela, ao anúncio do Anjo, acolheu com fé a Palavra de Deus; com fé consentiu a obra que Deus estava a realizar nela. Pronunciando o seu «fiat», o seu «sim», recebeu o dom de uma caridade imensa, que a levou a doar-se totalmente a Deus. Interceda por cada um e cada uma de vós, para que na próxima Jornada Mundial possais crescer na fé e no amor. Garanto-vos a minha recordação paterna na oração e abençoo-vos de coração.
Vaticano, 6 de Agosto de 2010, Festa da Transfiguração do Senhor.
BENEDICTUS PP. XVI
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Queridos irmãos e irmãs:
No Evangelho deste domingo – o capítulo 15 de São Lucas -, Jesus narra as três “parábolas da misericórdia”. Quando Ele “fala, nas suas parábolas, do pastor que vai atrás da ovelha perdida, da mulher que procura a dracma, do pai que sai ao encontro do filho pródigo e o abraça, não se trata apenas de palavras, mas constituem a explicação do seu próprio ser e agir” (Deus caritas est, 12). De fato, o pastor que volta a encontrar é o próprio Senhor que carrega nos ombros, com a Cruz, a humanidade pecadora, para redimi-la. O filho pródigo, na terceira parábola, é um jovem que, recebida a herança do pai, “partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada” (Lc 15, 13). Ao cair na miséria, viu-se obrigado a trabalhar como um escravo, aceitando inclusive matar a fome com comida destinada aos animais. “Então – diz o Evangelho – caiu em si” (Lc 15, 17). “As palavras que prepara para a volta nos permitem conhecer o alcance da sua peregrinação: ele volta a ‘casa’, a si mesmo, ao pai” (Bento XV, Jesus de Nazaré, 2007). “Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho” (Lc 15, 19-19). Santo Agostinho escreve: “É o próprio Verbo que grita, para que voltes; o lugar da tranquilidade imperturbável se encontra onde o amor não experimenta o abandono” (Confissões, IV, 11.16). “Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos” (Lc 15,20) e, repleto de alegria, pediu que preparassem uma festa.
Queridos amigos, como não abrir nosso coração à certeza de que, ainda que sejamos pecadores, somos amados por Deus? Ele jamais se cansa de vir ao nosso encontro, de ser o primeiro em percorrer o caminho que nos separa dele. O livro do Êxodo nos mostra como Moisés, com uma súplica confiante e audaz, conseguiu, por assim dizer, tirar Deus do trono do juízo e colocá-lo no trono da misericórdia (cf.32,7-11.13-14 ). O arrependimento é a medida da fé e graças a isso se retorna à Verdade. O apóstolo Paulo escreve: “Encontrei misericórdia, porque agia com a ignorância de quem não tem fé” (1 Tm 1, 13). Voltando à parábola do filho que volta a “casa”, experimentamos que, quando o filho maior aparece, indignado pelo acolhimento festivo oferecido ao irmão, o pai também vai ao seu encontro para suplicar-lhe: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu” (Lc 15, 31). Só a fé pode transformar o egoísmo em alegria e voltar restabelecer as relações adequadas com o próximo e com Deus. “Era preciso festejar e alegrar-nos – diz o pai – porque este teu irmão (…) estava perdido, e foi encontrado” (Lc 15,32).
Queridos irmãos, na próxima quinta-feira viajarei ao Reino Unido, onde proclamarei beato o cardeal John Henry Newman. Peço a todos que me acompanhem com a oração nesta viagem apostólica. A Nossa Senhora, cujo nome santíssimo se celebra hoje na Igreja, confiamos nosso caminho de conversão a Deus.
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13
RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 12 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos artigo do arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, enviado a ZENIT nessa quarta-feira, em que fala sobre a festa da Assunção de Maria.
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Assunção de Maria e a nossa vida
Neste dia 15 de agosto celebramos a festa da Assunção de Maria ou, como é mais conhecida aqui no Brasil, a festa de Nossa Senhora da Glória, e aqui no Rio de Janeiro com uma antiga e bela igreja no Outeiro e bairro que leva o seu nome. A residência oficial dos arcebispos desta arquidiocese é situada exatamente no Bairro da Glória.
Juntamente com essa Solenidade, neste ano coincidente com o domingo, para onde sempre é transferida, o mês vocacional recorda-nos a vocação à vida religiosa, à vida consagrada. Essa vida é um sinal atual daquilo que a Assunção de Maria nos indica como as últimas verdades da vida humana: todos somos destinados à santidade e à contemplação de Deus na visão beatífica.
Foi necessária, a 1º de novembro de 1950, a Igreja, através do Papa Pio XII, proclamar essa convicção que já vinha sendo confessada pelo povo de Deus desde os inícios do cristianismo – é o dogma da assunção de Maria ao céu em corpo e alma. Na Igreja Oriental já era celebrada a chamada Festa da Dormição de Maria, ela que, isenta do pecado, entregou-se definitivamente ao Pai ao final de sua vida terrestre.
É uma feliz oportunidade nestes tempos de tantas confusões com relação à antropologia para ressaltar a integridade e a dignidade do corpo humano, corpo este que é um constitutivo da própria personalidade do homem. Pensemos nas atrocidades que são noticiadas a cada dia contra o corpo e reflitamos mais além: aquelas outras que não aparecem nas páginas dos jornais e nem nas telas da televisão! Perdemos o respeito pelo ser humano! Acredito que esta oportunidade será uma ótima ocasião para que, diante da Assunção de Maria, retomar as reflexões importantíssimas sobre este assunto.
A Assunção de Maria é a negação de toda forma de indignidade do indivíduo, uma resposta brilhante e salutar ao ser humano. É uma oportunidade, portanto, para meditarmos sobre o verdadeiro significado e valor da vida humana. Somente com a fé é que temos esperança de um mundo melhor, um “novo céu, e uma nova terra”.
Maria é o sinal para todos nós, Igreja, daquilo que somos chamados a viver. Por isso, esta solenidade também nos recoloca a reflexão sobre o nosso fim último. Não nos coloquemos à margem desta Assunção Mariana, mas que ela seja um princípio de nossa própria ressurreição, quando nos encontraremos em felicidade plena junto a Deus, tal como Maria está no tempo hodierno. Na sua Glória, ela é um de nós: corpo e alma.
Além disso, no pensamento sobre a vida futura que teremos junto a Deus, toda a vaidade, todo o egoísmo fica para trás e torna-se efêmero, inútil. A festa da Assunção desprende-nos do transitório, do descartável, e reporta-nos para a segurança definitiva que somente teremos em Deus.
Não é uma alienação da realidade, ao contrário: conhecendo para onde vamos, somos chamados a viver ainda melhor o nosso dia a dia. Tudo o mais, inclusive a nossa existência, deverá, então, estar em função desse fim último: Deus. Assim, tudo o que vivermos já aqui será uma graça para a nossa vida, pois disputaremos a labuta cotidiana com o pensamento no transcendente, e, portanto, santificando principalmente os nossos afazeres e o nosso contato com os irmãos.
É também nesse sentido que a vida religiosa e consagrada pode nos ajudar a vivenciar esses valores do Reino com intensa caridade e disponibilidade: sinais escatológicos!
Assim, nesta festa mariana somos chamados a viver na confiança para além da morte, para além do sofrimento, para além da tristeza e a participar na felicidade do céu, quando Deus realizará tudo em todos.
Nossa Senhora da Assunção, da Glória, não está longe de nós, ao contrário, continua próxima de seus filhos, aos quais ouve e convida a ouvir o Seu Filho Jesus. Sob seu abrigo maternal está o seu coração de mãe, que ainda bate e sofre conosco.
E assim, com ela podemos meditar como São Paulo: “Nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem os principados, o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura poderá nos separar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8,38-39)
Nossa Senhora da Assunção, cultuada por séculos aqui bem próximo da sede de nossa Arquidiocese, no Outeiro da Glória, rogai por nós que recorremos a Vós!
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro
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RIO DE JANEIRO, terça-feira, 10 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos artigo do arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, enviado a ZENIT hoje, sobre o tema dos diáconos.
* * *Diáconos servidores
No dia 10 de agosto celebramos a festa de São Lourenço, diácono e mártir e patrono dos diáconos. Viveu na época do Papa Sisto II, quando procurou servir os pobres com bens da comunidade de fé.
Sobre ele recordamos as palavras do Santo Padre, em sua homilia na Basílica que leva o nome do mártir, em Roma, em 30 de novembro de 2008: “sua vida foi dedicada aos pobres, e deu generoso serviço à Igreja de Roma, especialmente no cuidado dos pobres e da caridade!”
De São Lourenço recordamos o seu testemunho diante da pressão do imperador que queria para si os imaginados bens da Igreja: “a riqueza da Igreja são os pobres.”
Percorrendo o mês de agosto, mês das vocações, deparamo-nos com a Vocação Diaconal. Celebramos o Dia dos Padres no dia quatro de agosto, e o Dia dos Pais no segundo domingo do mês, quando começa a semana nacional da família. O diácono é uma vocação ministerial para o serviço.
Existem muitas razões de ordem pastoral para a implantação do diaconato permanente onde ainda não o foi. Poderíamos enumerar algumas: ampliação dos serviços da caridade e da liturgia junto ao povo fiel, principalmente nos grandes centros urbanos, tão carentes deste atendimento por parte da Igreja; a presença sacramental e ministerial da Igreja em muitas ambientes da vida secular onde ela não consegue chegar com facilidade. Afinal é um dos ministérios presentes na Igreja e que complementam a missão na diversidade de funções e necessidades.
Porém, gostaria de ressaltar o diácono como fonte do ministério do amor e da justiça. O diácono é ordenado para incorporar uma dimensão do ministério apostólico: o do serviço, como disse acima.
O próprio termo diaconia já por si expressa o ser diácono – o que serve, configurando-se ao Cristo Servo que “não veio para ser servido, mas para servir”. O diaconato expressa-se em três dimensões: o serviço da caridade, o serviço da liturgia e o serviço da Palavra de Deus.
E dentro da perspectiva do serviço, destaco o da caridade, o serviço junto aos pobres, à situação de pobreza. A Igreja espera dos diáconos uma resposta às necessidades dos menos favorecidos de nossa sociedade.
Recordo a carta da Congregação do Clero, assinada pelo Cardeal D. Claudio Hummes, emitida por ocasião do Ano Sacerdotal: “os diáconos são identificados, sobretudo, com a caridade. Os pobres são o seu ambiente cotidiano e o foco de sua atividade sem descanso. Não se compreenderia um Diácono que não se envolvesse na caridade e na solidariedade para com os pobres, que hoje de novo se multiplicam.”
O Diaconato é um ministério do limite, por causa da atenção e do cuidado com aqueles que estão na situação de miséria e de pobreza, os preferidos de Jesus, e que precisam de nossa atenção social e também espiritual.
O diácono é um sinal da caridade e do serviço, da Igreja que ama os pobres e vive para servir aos homens e as mulheres de boa vontade. O diácono é um servo que traça o caminho do amor e da afeição em relação ao dom maior da caridade.
Em seu empenho pela caridade, deve-se incluir a sua estreita colaboração ao bispo, que é o primeiro responsável pela caridade na Igreja local, e o diácono é chamado, pelo seu ministério, a ser um de seus mais próximos colaboradores nesta missão.
Em muitas dioceses, seja no Brasil ou no exterior, temos vários testemunhos de diáconos empenhados e que servem, principalmente, a mulheres vítimas de violência, a crianças maltratadas, doentes mentais, tóxico-dependentes, pessoas portadoras de HIV, sem teto, prisioneiros, refugiados, migrantes, populações de rua, desempregados e vítimas de discriminação racial ou étnica. Isso tudo, sem dúvida, é uma grande riqueza para a Igreja.
Outro tipo de pobreza para a qual o diácono é chamado a servir é a pobreza de ordem espiritual. É muito fácil encontrarmos pessoas que estão em extrema carência de atenção, que se encontram na solidão, na raiva, no ódio, na confusão espiritual, na depressão, e no sofrimento. Precisamos levar Jesus para essas pessoas, mantermo-nos junto delas, oferecendo o Seu amor.
Os diáconos podem muito se empenhar no ministério da escuta e do aconselhamento desses nossos irmãos. Sendo homens de fé, a serviço da Igreja, também estão inseridos no ambiente familiar, da cultura e do mundo do trabalho. Isso tudo lhes permite conhecimento de causa e, à luz do Evangelho, como servidor da Palavra, dar ânimo de vida e de esperança.
Neste dia dedicado aos Diáconos, peço por todos os nossos diáconos permanentes da Arquidiocese. Agradeço o serviço que prestam ao seu Bispo e ao Povo de Deus. O exemplo de perseverança e de fidelidade de seu patrono, São Lourenço, possa ser uma luz na caminhada ministerial dos Diáconos.
+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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hoje, na Liturgia, recordamos Santa Clara de Assis, fundadora das Clarissas, luminosa figura da qual falarei numa próxima Catequese. Mas nesta semana – como já mencionei no Angelus de domingo passado – fazemos memória também de alguns Santos mártires, seja dos primeiros séculos da Igreja, como São Lourenço, Diácono, São Ponciano, Papa, e Santo Hipólito, Sacerdote; seja de um tempo um pouco mais próximo de nós, como Santa Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein, patrona da Europa, e São Maximiliano Kolbe.
Gostaria agora de falar brevemente sobre o martírio, forma de amor total a Deus.
Onde se funda o martírio? A resposta é simples: sobre a morte de Jesus, sobre seu sacrifício supremo de amor, consumado na Cruz para que pudéssemos ter a vida (cf. Jo 10, 10).
Cristo é o servo sofredor de quem fala o profeta Isaías (cf. Is 52, 13-15), que doou a si mesmo em resgate de muitos (cf. Mt 20, 28). Ele exorta os seus discípulos, cada um de nós, a tomar cada dia a própria cruz e segui-lo no caminho do amor total a Deus Pai e à humanidade: “quem não toma a sua cruz e não me segue – diz-nos –, não é digno de mim. Quem buscar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará (Mt 10, 38-39). É a lógica do grão de trigo que morre para germinar e trazer a vida (cf. Jo 12, 24). O próprio Jesus é o “grão de trigo que veio de Deus, o grão divino, que se deixa cair na terra, que se deixa partir, quebrar na morte e, precisamente através disto, se abre e pode assim dar fruto na vastidão do mundo” (Bento XVI,Visita à Igreja luterana de [14 de março de 2010]). O mártir segue o Senhor até o fim, aceitando livremente morrer pela salvação do mundo, em uma prova suprema de fé e de amor (cf. Lumen Gentium, 42).
Mas de onde nasce a força para enfrentar o martírio? Da profunda e íntima união com Cristo, porque o martírio e a vocação ao martírio não são o resultado de um esforço humano, mas a resposta a uma iniciativa e a um chamado de Deus, são um dom da Sua graça, que torna capazes de oferecer a própria vida por amor a Cristo e à Igreja e, assim, ao mundo. Se lemos a vida dos mártires, ficamos surpreendidos com a serenidade e coragem no enfrentamento da morte: o poder de Deus manifesta-se plenamente na fraqueza, na pobreza de quem se confia a Ele e só n’Ele deposita a sua esperança (cf. 2 Cor 12, 9).
Mas é importante enfatizar que a graça de Deus não suprime ou sufoca a liberdade daqueles que enfrentam o martírio, mas, ao contrário, enriquece-a e reforça-a: o mártir é uma pessoa extremamente livre, livre em relação ao poder, ao mundo, uma pessoa livre, que, num único ato definitivo, entrega a Deus toda a sua vida e, num supremo ato de fé, de esperança e de caridade, abandona-se nas mãos do seu Criador e Redentor; sacrifica a própria vida para se associar totalmente ao Sacrifício de Cristo na Cruz. Em uma palavra, o martírio é um grande ato de amor em resposta ao imenso amor de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, como eu disse na quarta-feira passada, provavelmente nós não somos chamados ao martírio, mas nenhum de nós está excluído do chamado divino à santidade, a viver em alta medida a vida cristã, e isso implica tomar a cada dia a sua cruz. Todos, sobretudo no nosso tempo, em que o egoísmo e o individualismo parecem prevalecer, temos de assumir como primeiro e fundamental compromisso crescer a cada dia em um amor maior a Deus e aos irmãos, para transformar a nossa vida e assim transformar também o nosso mundo. Por intercessão dos Santos e dos Mártires, peçamos ao Senhor para inflamar o nosso coração para sermos capazes de amar como Ele amou cada um de nós.
[Traduzido do original italiano por Alexandre Ribeiro.
Após a audiência, o Papa saudou os peregrinos em diferentes idiomas. Estas foram suas palavras em língua portuguesa:]
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, nomeadamente para os grupos vindos do Brasil e para os fiéis portugueses da diocese do Porto. Cristo chama todos os batizados à santidade. Que o exemplo e a intercessão dos mártires vos ajude a assumir o empenho de crescer a cada dia no amor a Deus e aos irmãos para que assim possais transformar o mundo! Que Deus abençoe a vós e as vossas famílias.
[© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]
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BRASÍLIA, terça-feira, 10 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos artigo do bispo de São José do Rio Preto (São Paulo), Dom Paulo Mendes Peixoto, sobre o valor do voto, texto difundido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) nessa segunda-feira.
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Valor do Voto
A minha palavra é destinada a todos os diocesanos e às pessoas cidadãs, de boa vontade, querendo assim contribuir para a vida do nosso povo no momento tão especial como estamos agora vivendo, com a chegada das Eleições. Faço isto vendo a grande importância da participação política dos cristãos na vida social, para construir uma sociedade fraterna, justa e solidária.
É importante acompanhar o processo político, vendo de perto o perfil dos candidatos para criar consciência e responsabilidade, ajudando assim nos destinos do País e do Estado. Sabemos que o papel do eleitor vai além do seu voto. Começa pelo conhecimento dos candidatos, sua vida, atuação, propostas e posturas apresentadas. Continua depois, acompanhando a gestão dos que forem eleitos.
A sociedade almeja uma ética na política e uma coerência dos políticos. Não é por acaso que tivemos a iniciativa popular para criar a Lei chamada “Ficha Limpa”. Para que ela seja aplicada, efetivamente, é preciso haver uma mudança de mentalidade e de ação, tendo em vista uma política marcada por princípios e valores éticos fundamentais para o povo.
A Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja, seguramente credenciadas por uma prática histórica milenar, podem dar fundamentos para isto. Aí os candidatos devem buscar os critérios de ação, dando aos eleitores as bases para o exercício da cidadania para um voto consciente e comprometido podendo, dentro do processo, agir com corresponsabilidade.
Alguns dados devem ser identificados nos candidatos, sem os quais não merecem o sufrágio dos cidadãos cristãos. Um deles é se defendem a vida, da concepção até a morte natural, já que a vida é o maior dom que todos temos. Não merece o nosso voto quem tem iniciativas contra a dignidade das pessoas e das famílias, defendendo o aborto e a eutanásia.
Quando a pessoa governa, deve ter em mente o bem comum, olhando para os mais pobres, promovendo uma sociedade mais fraterna e em condição de todos terem vida com dignidade. Para isto deve cuidar da saúde, educação, moradia, trabalho e justiça social. Os interesses do povo precisam estar acima dos particulares. É bom candidato quem é comprometido com o bem comum.
Olhar também o comportamento ético dos candidatos: sua honestidade, competência, transparência, vontade de servir o bem comum, idoneidade moral e suas propostas de ação política. As propagandas podem ocultar os interesses particulares do candidato. Olhar se seu histórico não é de corrupção e de má gestão, de “ficha suja” e de uso da máquina pública para fins eleitoreiros.
Não transformar o voto em mercadoria. Ele não pode ser vendido. Tanto quem compra, como quem vende, é corrupto. É atitude que deve ser denunciada à Comissão Contra a Corrupção Eleitoral, da Lei 9840, que deve tomar as devidas providências. Diante de tudo isto, suplico a Deus para iluminar e abençoar a todos, candidatos e eleitores, nessas próximas Eleições.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto, SP
06
Papa aos Cavaleiros de ColomboSua Santidade, o Papa Bento XVI, teve satisfação em saber que entre 3 e 5 de agosto de 2010 realiza-se a 128ª Convenção Suprema dos Cavaleiros de Colombo, em Washington D.C. Ele me pediu para transmitir sua calorosa saudação pessoal e bons desejos a todos os participantes, e de modo especial para o senhor, que comemora o décimo aniversário de sua eleição como o Cavaleiro Supremo.
O tema deste ano da Convenção – Eu sou guardião do meu irmão – chama a atenção para o espírito de solidariedade fraterna, que inspirou a fundação dos Cavaleiros de Colombo e continua a guiar suas múltiplas atividades. Foi a preocupação com o bem-estar dos trabalhadores e suas famílias, emanada do ensinamento de Cristo e da longa tradição da Igreja de engajamento social e serviço da caridade, que levou o Servo de Deus Pe. Michael McGivney e seus associados a organizar os Cavaleiros como uma benevolente e fraterna associação.
Desde o início, este compromisso, com o imperativo evangélico do amor ao próximo, tem guiado as várias atividades e programas da Ordem, e hoje é também visto com mais evidência nos gestos concretos de caridade e de serviço à comunidade realizados pelos membros dos conselhos locais em todo o mundo. Sua Santidade deseja, antes de tudo, expressar sua gratidão por esta grande expressão de solidariedade e de amor, que representa um testemunho excepcional da caridade de Cristo e da verdade salvífica do Evangelho.
“A disponibilidade para Deus abre à disponibilidade para os irmãos e para uma vida entendida como tarefa solidária e jubilosa” (Caritas in Veritate, 78), e isso, por sua vez, permite que os cristãos, nas circunstâncias concretas de sua vida quotidiana, tornem-se convincentes sinais da bondade de Deus e da atratividade da mensagem cristã.
O Santo Padre está pessoalmente grato pelo apoio generoso que os Cavaleiros têm dado a ele nos últimos meses, especialmente através de suas orações constantes e, em particular, da novena realizada na véspera do quinto aniversário de sua eleição. Ele continua profundamente consolado por este testemunho de fidelidade ao Vigário de Cristo em meio à turbulência destes tempos e pede que as orações continuem a ser oferecidas pela unidade da Igreja, a difusão do Evangelho e a conversão dos corações.
De modo particular, ele manifesta seu apreço aos membros da Ordem por sua solidariedade espiritual com o clero ao longo do recém-concluído Ano Sacerdotal. Aqui também, o tradicional espírito de fé e fraternidade dos senhores encontrou pronta expressão no desejo de permanecer, como “guardiães dos irmãos”, ao lado de seus sacerdotes e confirmá-los em sua vocação à santidade e ao generoso serviço do Povo de Deus. Diante dos ataques, muitas vezes injustos e infundados contra a Igreja e seus líderes, o Santo Padre está convencido de que a resposta mais eficaz é uma grande fidelidade à Palavra de Deus, uma busca mais firme da santidade e um maior compromisso com a caridade na verdade por parte de todos os fiéis.
Ele pede que os Cavaleiros perseverem em seu testemunho de fé e caridade, na confiança serena em que, como a Igreja vive este período de purificação, sua luz virá para brilhar ainda mais reluzente (cf. Mt 5, 15-16) perante os homens e mulheres de mente justa e boa vontade. Na encíclica Caritas in Veritate, o Santo Padre observou a atual crise econômica como uma recordação de que nenhuma área da atividade humana está isenta da responsabilidade moral (n. 2).
Num tempo em que as normas morais fundamentais, baseadas na verdade e inscritas no coração humano, são cada vez mais questionadas e, muitas vezes, derrubadas pela legislação positiva, ele está agradecido pelos esforços dos Cavaleiros, em colaboração com outros homens e mulheres de boa vontade, em defender a razoabilidade da doutrina moral da Igreja e sua importância para uma boa, justa e duradoura ordem social.
Ele agradece uma vez mais a Ordem por seu testemunho perante a santidade da vida humana e a autêntica natureza do casamento e pelos esforços para promover nos leigos católicos uma maior consciência da necessidade de superar toda separação entre a fé que professam e as decisões diárias que moldam suas vidas como indivíduos e na vida da sociedade como um todo.
Com estes sentimentos e com grande afeto no Senhor, Sua Santidade encomenda todos os reunidos em Washington à intercessão amorosa de Maria, Mãe da Igreja. Aos membros do Conselho Supremo e a todos os Cavaleiros e suas famílias, cordialmente, ele envia a Bênção Apostólica, como garantia de abundantes graças celestes.
Com meus bons desejos pelo sucesso da reunião, dirijo meus sinceros cumprimentos,
Cardeal Tarcisio Bertone
Secretário de Estado
[Traduzido do original inglês por Alexandre Ribeiro]
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05
“Como deve agir o padre, hoje, na cena deste mundo em grande transformação?”, questiona ainda o prelado.
O presbítero – afirma Dom Orani –, “antes de tudo, é o homem da Palavra de Deus, o homem do sacramento, o homem do ‘mistério da fé’”.
Os padres “têm o dever primário de proclamar o Evangelho de Deus a todos os homens”, explica, citando a Presbyterorum Ordinis. Mas nesta proclamação “está o dever também de levar cada homem e cada mulher deste mundo a um encontro pessoal com Jesus”.
Dom Orani considera que hoje, mais do que antes, “devemos nos empenhar para que cada pessoa possa fazer esta experiência do encontro com Deus, o devemos fazer com uma renovada esperança, mesmo nas adversidades de um mundo extremamente secularizado, liberal, ateísta e até cético”.
“As pessoas devem perceber no sacerdote ‘Aquele’ a quem ele está a serviço: o que chamamos na teologia da configuração com Cristo.”
“Nesta dimensão, encerra-se a sua vital presença na celebração eucarística, ápice da vida espiritual da Igreja, em que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Em suma, o Sacerdote deve ser um homem em contato com Deus, e que nos leva a fazer esta mesma experiência de santidade.”
“A mais sublime missão do sacerdote hoje – afirma o arcebispo – é, sem dúvida, ser um Cristo agora, pois ‘Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre’”.
Porém – prossegue Dom Orani –, o padre “deve avançar com o tempo, com a história, mas não deve ter uma atenção superficial sobre tal ‘modernidade’. É chamado a ser crítico e também vigilante com a realidade que se lhe apresenta”.
“O grande salto qualitativo na vida de qualquer padre seria uma autêntica renovação, que é possível e necessária, e ao mesmo tempo uma grande afeição a uma plena e radical fidelidade à Palavra de Deus e à tradição da Igreja, aos quais ele serve no seu ministério. A sua primeira e fundamental vocação é a da santidade, juntamente com a de toda a Igreja”, afirma o arcebispo.
Dom Orani assinala que o sacerdote “é chamado a ser capaz de se entreter com cada pessoa, acreditando que o outro vale à pena; a ser uma pessoa mística e que, ao mesmo tempo, se interessa pelas coisas do mundo, pela vida do homem, nas suas angústias e alegrias, para que elas se tornem algo sagrado e agradável ao Senhor”.
“O sacerdote é também aquele que procura uma nova linguagem para se comunicar com o mundo de hoje, principalmente neste mundo da multimídia.”
De acordo com o arcebispo do Rio de Janeiro, o sacerdócio ministerial “é entrega, é imolação, é doar-se integralmente, é cruz. Tomar a cruz significa comprometer-se para derrotar o pecado que impede o caminho rumo a Deus, acolher cotidianamente a vontade do Senhor, aumentar a fé, sobretudo diante dos problemas, das dificuldades, do sofrimento”.
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05
gostaria de expressar minha alegria por estar hoje aqui, entre vocês, nesta Praça, onde de forma festiva vocês se reuniram para esta audiência geral, que conta com a presença significativa da grande Peregrinação Europeia dos Acólitos! Queridos meninos, meninas e jovens, bem-vindos! Visto que a grande maioria dos acólitos presentes na Praça é de origem alemã, dirijo-me primeiramente a eles em minha língua materna.
Caros acólitos e amigos, queridos peregrinos de língua alemã, bem-vindos a Roma! Saúdo-os cordialmente. Junto de vocês, saúdo o cardeal secretário de Estado, Tarcísio Bertone, que se chama Tarcísio, como seu padroeiro. Vocês tiveram a gentileza de convidá-lo, e ele, que leva o nome de São Tarcísio, está feliz por estar aqui entre os acólitos do mundo e os acólitos alemães.
Saúdo os queridos irmãos no episcopado e no sacerdócio e os diáconos que quiseram participar nesta audiência. Agradeço de coração o bispo auxiliar da Basileia, Dom Martin Gächter, presidente do Coetus Internationalis Ministrantium, pelas palavras de saudação a mim dirigidas, pelo presente da estátua de São Tarcísio e o foulard que me deu. Tudo isso me faz lembrar do tempo em que também eu era coroinha. Agradeço-o, em nome de vocês, também pelo grande trabalho que realiza em seu meio, juntamente com os colaboradores e aqueles que possibilitaram este alegre encontro. Meu agradecimento vai também para os promotores suíços e para todos que trabalharam de diferentes modos para construir a estátua de São Tarcísio.
Vocês são numerosos! Já ao sobrevoar a Praça de São Pedro em helicóptero eu vi todas as cores e a alegria que está presente nesta Praça! Vocês não só criaram um ambiente festivo na Praça, mas tornaram ainda muito mais alegre o meu coração! Obrigado! A estátua de São Tarcísio chegou até nós depois de uma longa peregrinação. Em setembro de 2008, foi apresentada na Suíça, diante da presença de 8.000 acólitos: certamente alguns de vocês estavam presentes. Da Suíça passou por Luxemburgo e chegou à Hungria. Nós hoje a acolhemos com festa, felizes em poder conhecer melhor este personagem dos primeiros séculos da Igreja.
A estátua – como já disse Dom Gächter – será colocada nas Catacumbas de São Calisto, onde São Tarcísio foi sepultado. O meu desejo é que este lugar, ou seja, as catacumbas de São Calisto e essa estátua, torne-se uma referência para os acólitos e para aqueles que desejam seguir Jesus mais de perto através da vida sacerdotal, religiosa e missionária. Todos podem se encomendar a este jovem corajoso e forte e renovar o empenho de amizade com o Senhor também para aprender a viver sempre com Ele, seguindo o caminho que nos indica com a Sua Palavra e o testemunho de tantos santos e mártires, dos quais, através do Batismo, tornamo-nos irmãos e irmãs.
Quem foi São Tarcísio? Nós não temos muitas notícias. Estamos nos primeiros séculos da história da Igreja, mais precisamente no terceiro século; narra-se que foi um jovem que frequentava as Catacumbas de São Calisto, aqui em Roma, e era muito fiel aos seus compromissos cristãos. Amava muito a Eucaristia e, por vários fatores, podemos concluir que, provavelmente, era um acólito, um servidor do altar. Aqueles eram anos em que o imperador Valeriano perseguia duramente os cristãos, estes sendo forçados a se reunir secretamente em casas particulares ou, por vezes, até mesmo nas Catacumbas, para ouvir a Palavra de Deus, rezar e celebrar a Missa. Mesmo o costume de levar a Eucaristia aos doentes e prisioneiros tornava-se cada vez mais perigoso.
Um dia, quando o sacerdote perguntou, como de costume, quem estava disposto a levar a Eucaristia aos outros irmãos e irmãs que aguardavam, o jovem Tarcísio levantou-se e disse Tarcísio: “Envie-me”. Aquele menino parecia demasiado jovem para um serviço tão exigente! “Minha juventude – disse Tarcísio – será o melhor refúgio para a Eucaristia”. O sacerdote, convencido, confiou-lhe o Pão precioso, dizendo: “Tarcísio, lembre-se de que um tesouro celeste é confiado ao seu frágil cuidado. Evite as ruas movimentadas e não se esqueça de que as coisas santas não devem ser dadas aos cães e nem as pérolas aos porcos. Guardará com fidelidade e segurança os Sagrados Mistérios?”.
“Morreria – diz Tarcísio – antes de cedê-los”. Ao longo do caminho, ele encontrou alguns amigos na rua, que, aproximando-se, pediram-lhe que se unisse a eles. Diante de sua negativa, eles – que eram pagãos – o consideraram suspeito e insistente, e perceberam que portava alguma coisa junto ao peito, a qual parecia defender. Tentaram tomá-la, mas em vão; uma luta muito furiosa se deu, sobretudo quando vieram a descobrir que Tarcísio era cristão; eles o espancaram, atiraram pedras, mas ele não cedeu. Morrendo, foi levado ao sacerdote por um oficial pretoriano de nome Quadrato, que era cristão em segredo. Chegou sem vida, mas ainda segurando firme no peito um pequeno linho com a Eucaristia. Ele foi imediatamente sepultado nas Catacumbas de São Calisto.
O Papa Dâmaso I fez uma inscrição para a tumba de São Tarcísio, segundo a qual o jovem morreu no ano 257. O Martirológio Romano lhe fixa a data de 15 de agosto e no mesmo Martirológio reporta-se também uma bela tradição oral, segundo a qual junto do corpo de São Tarcísio não foi encontrado o Santíssimo Sacramento, nem nas mãos, nem entre as suas vestes. Explica-se que a partícula consagrada, defendida com a vida pelo pequeno mártir, tornara-se carne da sua carne, formando assim com o seu próprio corpo uma única hóstia imaculada ofertada a Deus.
Caríssimos acólitos, o testemunho de São Tarcísio e esta bela tradição nos ensinam o profundo amor e a grande veneração que devemos ter pela Eucaristia: é um bem precioso, um tesouro cujo valor não se pode medir, é o Pão da vida, é o próprio Jesus que se faz alimento, sustento e força para o nosso caminho de cada dia e estrada aberta para a vida eterna; é o maior dom que Jesus nos deixou.
Volto-me uma vez mais aos aqui presentes e, por meio de vocês, a todos os acólitos do mundo! Sirvam com generosidade a Jesus presente na Eucaristia. É uma tarefa importante, que lhes permite estar particularmente próximos do Senhor e crescer na amizade verdadeira e profunda com Ele. Guardem com zelo esta amizade em seus corações, como São Tarcísio, pronto a se empenhar, lutar e dar a vida para que Jesus chegasse a todos os homens. Anunciem também aos seus amigos o dom desta amizade, com alegria, entusiasmo, sem medo, a fim de que eles possam sentir que vocês conhecem este mistério, que ele é verdadeiro e amado! Toda vez que vocês se aproximam do altar, têm a sorte de auxiliar o grande gesto de amor de Deus, que continua a querer se doar a cada um de nós, a estar perto, a ajudar, a dar forças para viver bem.
Com a consagração – vocês sabem – aquele pequeno pedaço de pão torna-se Corpo de Cristo, o vinho torna-se Sangue de Cristo. Vocês têm a sorte de viver próximos deste indizível mistério! Desempenhem com amor, com devoção e com fidelidade a tarefa de acólitos; não entrem na igreja para uma celebração com superficialidade, mas preparem-se interiormente para a Santa Missa! Ajudando os sacerdotes no serviço do altar a trazer Jesus mais perto, para que as pessoas possam sentir e perceber ainda mais: Ele está aqui; vocês colaboram a fim de que Ele possa estar mais presente no mundo, na vida de cada dia, na Igreja e em cada lugar. Queridos amigos! Vocês emprestam para Jesus as suas mãos, o seu pensamento, o seu tempo. Ele não deixará de recompensá-los, dando-lhes a alegria verdadeira e a felicidade mais plena. São Tarcísio mostra-nos que o amor pode levar até mesmo à entrega da vida por um bem autêntico, pelo verdadeiro bem, pelo Senhor.
A nós provavelmente não é pedido o martírio, mas Jesus nos pede fidelidade nas pequenas coisas, recolhimento interior, participação interior, nossa fé e esforço para manter presente este tesouro na vida de cada dia. Pede-nos a fidelidade nas tarefas diárias, o testemunho do Seu amor, frequentando a Igreja por convicção interior e pela alegria da sua presença. Assim podemos também dar a conhecer aos nossos amigos que Jesus vive. Neste compromisso, ajude-nos a intercessão de São João Maria Vianney, de quem hoje se marca a memória litúrgica, este humilde pároco da França, que mudou uma pequena comunidade e desse modo deu ao mundo uma nova luz. O exemplo dos santos Tarcísio e João Maria Vianney leve-nos todos os dias a amar Jesus e cumprir Sua vontade, como fez a Virgem Maria, fiel ao Seu Filho até o fim. Mais uma vez obrigado a todos! Que Deus os abençoe nestes dias e um bom retorno aos seus países!
[Tradução do original italiano por Alexandre Ribeiro.
Após a audiência, o Papa dirigiu-se aos peregrinos em diferentes idiomas. Em português, disse:]
Amados peregrinos vindos do Brasil, de Portugal e demais países de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos saúdo com grande afeto e alegria, de modo especial a todos os acólitos e coroinhas aqui presentes. Que a exemplo do vosso padroeiro, São Tarcísio, possais crescer sempre mais no amor à Eucaristia que é o tesouro mais precioso que Jesus nos deixou. Que Deus derrame os seus dons sobre vós e vossas famílias, que de coração abençôo. Ide em paz!
[© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]
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04
Segundo Dom Geraldo Agnelo, todos os cidadãos “têm o dever de tomar parte na atividade política, entendida como serviço ao bem comum. A autoridade pública tem o dever de guiar e coordenar, respeitando os direitos das pessoas e das comunidades intermédias”.
“Infelizmente – afirma o arcebispo –, muitos desconfiam da política, preferindo manter-se à distância. Outros entram nela para fortalecer interesses pessoais ou de grupo. Outros, por fim, fazem disso uma espécie de messianismo, por pretender libertar o homem de todos os males.”
O cardeal explica que a Igreja “tem em alta estima a genuína ação política; diz que é ‘digna de louvor e de consideração’ e aponta-a como ‘forma exigente de caridade’”.
“Reconhece que a necessidade de uma comunidade política e de uma autoridade pública está inscrita na natureza social do homem, e, por isso, deriva da vontade de Deus. Por outro lado, mostra os limites da política e vela por que não se torne açambarcadora ou até totalitária.”
De acordo com o arcebispo de Salvador, o Estado “assume um rosto demoníaco quando, esquecido do seu papel subsidiário de serviço, se torna totalitário e toma o lugar de Deus. Em situações semelhantes, os cristãos têm o dever de resistir”.
Dom Geraldo Agnelo explica que, segundo a doutrina da Igreja, a ação política autêntica é serviço para o bem comum, com transparência e competência.
“Os cidadãos são, ao mesmo tempo, destinatários e protagonistas da política. Têm o direito-dever de aprovar o sistema político, de eleger os governantes e de controlar o seu trabalho. Inseridos nas comunidades intermédias e nas associações, participam na gestão de numerosos serviços especialmente nos setores da educação, da cultura, da saúde, da assistência e promoção humana.”
Este ano de 2010 “é muito importante”, afirma o arcebispo, recordando a eleição de presidente da república, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
“Nós, os eleitores, teremos a responsabilidade de votar em pessoas que sejam dignas desses cargos e funções. Um voto dado irresponsavelmente, quem vai sofrer é o povo”, afirma.
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03
Em maio, a Igreja e a Cáritas iniciaram a segunda fase do atendimento ao país, que vai durar um ano e seis meses.
Emergência
Na primeira etapa, entre 13 de janeiro e 30 abril, fase de atendimento emergencial, as Igrejas de todo o mundo participaram da Campanha SOS Haiti por meio das Cáritas em vários países.
De acordo com a Cáritas Haiti, buscou-se, nesse período, atuar em todas as áreas das necessidades humanas para amenizar o sofrimento dos sobreviventes, colaborar com a reconstrução do país e investir com rigor os 26 milhões de dólares em doações recebidos pelas 65 Cáritas de várias regiões do mundo.
De acordo com informações da Cáritas Internationalis e Cáritas Haiti, nessa primeira etapa, mais de 200 mil pessoas tiveram acesso a água potável e a kits de higiene graças ao investimento em fornecimento de água e saneamento.
Desamparados e ao relento, cerca de 900 mil pessoas receberam tendas e kits para se abrigarem até que tenham suas casas reconstruídas. Mais de 350 mil pessoas foram beneficiadas com programa de saúde. Cerca de 1,1 milhão de pessoas receberam kits de saúde e de primeiros socorros e contaram com 30 médicos e sete clínicas móveis.
Foram distribuídos 1,5 milhão de refeições ou suplementos alimentares. Na área da educação, 25 escolas foram restabelecidas e 53 receberam materiais escolares, estando prontas para recomeçarem as aulas.
Por meio do programa “Cash for work” (em português: Dinheiro por trabalho), duas mil pessoas foram beneficiadas com dinheiro.
Agora, na segunda etapa de reestrutução do país, estão previstos investimentos em recursos financeiros e humanos em saúde, educação, alimentação, habitação, economia solidária, meios de subsistência, reforço e otimização da Rede Cáritas, dentre outros.
Na internet: http://caritas.org.br/
03
Que Santíssimo Coração Chagado de Jesus esteja sempre nos iluminando na adoração e preparando para a sua obra diária. Amém!
03
“
O dom da Eucaristia
O que devemos fazer com a nossa vida? “Eucaristizar”. Transformar tudo em Eucaristia.
O encontro do sacerdote com Jesus na Eucaristia, fonte da Nova Evangelização
Muitas vezes pensamos que temos de ser santos para poder celebrar dignamente os santos mistérios: não ter pecado, santificar-se. Todas as manhãs reconhecemos que somos pecadores para celebrar dignamente. Contudo, poucas vezes pensamos, ou nunca, que a celebração da Eucaristia contribui para fazer do sacerdote um homem de Deus, um santo.
I. A minha experiência pessoal.
A celebração faz do sacerdote um santo. É por causa disto que eu quero compartilhar com vocês a minha experiência eucarística, assim como a experiência de outras pessoas íntimas que me marcaram com a sua fé, com a sua devoção à Eucaristia.
No seminário, minha formação se inspirou na vida do Cura D´Ars, são João Maria Vianney, e do Padre Pio. Eles me acompanharam durante toda a vida sacerdotal. Quando eu celebrava sozinho na prisão, João e Pio estavam sempre diante de mim e celebravam comigo. Foi graças ao seu sacrifício e ao seu amor pela Eucaristia que eu pude sobreviver na prisão. Lembro-me de que o Padre Pio celebrava a missa não em vinte ou trinta minutos, mas em uma hora, uma hora e meia. Ninguém reclamava da duração da missa, porque todos estavam fascinados pela sua maneira de celebrar, inclusive os bispos que assistiam. Entretanto, algumas pessoas mal-intencionadas pediram ao Santo Ofício que o proibisse de celebrar a Eucaristia desta forma, e então o Padre Pio foi obrigado a celebrar a missa em no máximo 45 minutos. O Padre Pio obedeceu à ordem, mas os fiéis pediram à Santa Sé a permissão para o frade celebrar a missa como antes, e Pio XII deu a autorização.
Alguém perguntou a São João Maria Vianney porque às vezes ele chorava e outras vezes sorria quando celebrava a missa. Ele respondeu que sorria quando pensava no dom da presença de Jesus na Eucaristia e chorava quando pensava nos pecadores que não podem receber tal dom. Quando fui preso, retiraram todos os meus pertences, mas me permitiram escrever para casa e pedir roupa e remédios. Eu pedi que me enviassem vinho em frascos de remédio para o estômago. No dia seguinte, o diretor da prisão me chamou para perguntar se eu estava mal do estômago, e se tinha algum remédio. Depois de escutar as minhas respostas afirmativas, me entregou um pequeno frasco de vinho com uma etiqueta que dizia “remédio para a dor de estômago”. Este foi um dos dias mais felizes da minha vida! Desta forma eu pude celebrar a missa dia após dia, com três gotas de vinho e uma gota d´água na palma da mão e com um pouco de hóstia que me davam para a celebração, e que eu guardava com muito cuidado contra a umidade.
Depois, quando estava com outras pessoas de fé católica, era abastecido de vinho e de hóstias, que os seus familiares levavam quando iam visitá-los. De um modo ou de outro, eu quase sempre pude celebrar a missa, sozinho ou acompanhado. Celebrava depois das nove e meia da noite, porque a essa hora não havia luz e conseguíamos juntar umas seis pessoas. Todos dormiam numa cama comum, 25 em cada parte. Cada um dispunha de 50 centímetros: estávamos como sardinhas.
Quando celebrava e dava a comunhão, secávamos o papel dos maços de cigarro dos prisioneiros e, com arroz, os pregávamos para fazer uma pequena bolsa na qual colocávamos o Santíssimo. Todas as sextas-feiras tínhamos uma aula de marxismo, e todos eram obrigados a participar. Depois havia um pequeno intervalo, e era quando os cinco católicos levavam o Santíssimo a outros grupos. Eu também o levava num pequeno pacote que colocava na minha bolsa, e assim a presença de Jesus me ajudava a ser corajoso, generoso, amável, e a dar testemunho de fé e de amor aos outros.
A presença de Jesus fazia maravilhas, porque entre os católicos também havia alguns que eram pouco fervorosos, menos praticantes… Havia ministros, coronéis, generais e, na prisão, cada um em particular fazia uma Hora Santa todas as tardes, uma hora de adoração e de oração diante de Jesus eucarístico. Assim, na solidão, na fome… uma fome terrível, foi possível sobreviver. Desta maneira dávamos testemunho na prisão.
A semente tinha sido semeada. Ainda não sabíamos como ia germinar, mas pouco a pouco, um a um, budistas, membros de diversas religiões, inclusive fundamentalistas hostis ao catolicismo manifestavam o desejo de ser católicos. Nos tempos livres eu ensinava catecismo a todos juntos. Batizava às escondidas e… era até padrinho. A presença da Eucaristia mudou a prisão, que era lugar de vergonha, de tristeza, de ódio e que tinha se transformado em lugar de amizade, de reconciliação e em escola de catecismo. Sem saber, o governo tinha feito uma escola de cate cismo!
A presença da Eucaristia é muito forte, a presença de Jesus é irresistível. Eu e todos os meus companheiros de prisão somos testemunhas disto.
II. A Celebração Eucarística nos santifica.
Não devemos ser santos para celebrar a Missa, mas celebrar a Missa para sermos santos.
1. In persona Christi.
Quando celebramos a Santa Missa nos santificamos, porque o fazemos in persona Christi. Da mesma forma, as meditações, oração, a ação de graças, o louvor, a oblação e a intercessão.
Somos intercessores e estas funções, in persona Christi, nos ajudam a ser santos. Estas funções renovam a lembrança da nossa ordenação. São Paulo pede que nós pensemos na nossa ordenação, no momento em que nos impuseram as mãos. In persona Christi não está somente a lembrança da nossa ordenação, mas a identificação com Cristo. E quando pronunciamos as palavras da consagração, nos sentimos mais do que nunca filhos de Maria. Todas as manhãs somos renovados porque começamos uma aliança nova, sempre mais nova e eterna, que não termina. Esta identificação nos ajuda a ser santos. Também nos santificamos porque a Eucaristia é fonte da nova evangelização.
2. Fonte da nova evangelização.
A Eucaristia nos ajuda a realizar a nova evangelização por todo o mundo. No Vietnã, na fronteira entre Laos e China, há uma aldeia cujos habitantes falam pouco o vietnamita, mas o entendem. Um dia, um sacerdote que vivia muito longe de lá viu um grupo daquelas pessoas caminhando e lhes perguntou para onde iam. Responderam que iam se batizar.
O sacerdote perguntou como tinham aprendido o catecismo, pois não existia um catecismo na sua língua. Responderam que tinham escutado uma estação de rádio de Manila: “Fonte da vida”. O sacerdote sabia que era uma rádio protestante, mas a rádio protestante também faz católicos! O pároco lhes convidou a ficar alguns dias com ele, para rezar e se preparar para o batismo. Eles responderam que só podiam ficar dois dias porque já tinham empregado seis pelo caminho, a pé nos montes, e devendo gastar outros tantos para voltar só tinham arroz suficiente para ficar aquele período de tempo.
Nesses dois dias, o pequeno grupo de pessoas se preparou para receber o batismo e a comunhão, e assistiram à Missa pela primeira vez. Depois voltaram felizes para a aldeia de onde tinham vindo. Os comunistas os perseguiam e não davam autorização para construírem uma igreja. Então eles se organizaram, em segredo, com outros habitantes da aldeia, para dividir o trabalho da construção. Alguns se encarregariam da porta, outros das janelas, outros do piso, outros do teto. E numa noite de lua, levantaram uma pequena igreja de madeira. No dia seguinte a polícia foi atrás dos construtores e ordenou que igreja fosse destruída. Porém, toda a aldeia de 400 pessoas foi solidária e assumiu a responsabilidade da construção da igreja, que não foi derrubada.
Os recém-convertidos ao catolicismo sempre têm um vivo desejo de também levar a Palavra de Deus aos outros e, para fazer isto, às vezes têm que lançar mão de planos muito engenhosos. De fato, no regime comunista há um grande controle sobre as pessoas, que devem denunciar se alguém sai da aldeia ou entra, mesmo que seja só durante um dia. Para solucionar essas proibições são organizadas falsas brigas, e culpam como responsáveis da desordem algumas famílias que são convidadas a sair da aldeia. Essas famílias são as que depois levarão o Evangelho a outras aldeias e se transformarão em catequistas. É como no tempo dos apóstolos. Quando eu saí da prisão muitos vieram me visitar. Eu tinha conseguido para eles um rádio, para eles poderem acompanhar a Missa na estação Véritas, enquanto trabalhavam nos campos ou com os búfalos. Às nove e meia paravam o trabalho e se reuniam para assistir à Missa, escutar a pregação e recobrar forças para a nova evangelização. Estas pessoas sofrem muito, mas a presença de Jesus as ajuda.
III. A Eucaristia é força que transforma.
Durante a celebração é preciso concentrar-se plenamente nos textos que são lidos, nos gestos que se realizam. Todos vocês têm a oportunidade de ver como o Papa celebra a Missa. Está tão absorvido na oração que se esquece de tudo o que está ao seu redor. Com freqüência fazem um gesto depois da comunhão para avisá-lo de que deve concluir a Missa, porque ele está transformado pela presença de Jesus.
Um dia fui convidado pelo Cardeal polonês André Deskur, amigo pessoal do Papa. Quando estávamos comendo, ele me convidou para ir ver a sua pequena capela. Fui, mas não notei nada em particular. Então o cardeal me disse que enquanto todo o prédio tem o piso de mármore, o da capela é de madeira, porque ele mandou trocar com medo de o Papa pegar uma pneumonia. De fato, desde que era sacerdote, bispo, cardeal, o Santo Padre freqüentemente rezava durante longo tempo prostrado por terra com os braços em cruz. Seu secretário me disse que ele ia sete vezes à capela para adorar o Santíssimo. É como se o Papa visse Jesus. As pessoas podem encontrar Jesus em homens como João Paulo.
Quando eu era diácono, servi a um cardeal da Armênia. Durante a bênção com o Santíssimo eu ficava impressionado com os seus gestos. Profundamente impressionado, porque quando colocava o incenso ele não estava em silêncio como todos nós, mas cantava o Tantum ergo com tamanha devoção que transformava aquele momento em algo inesquecível. Este é o tipo de pessoas de que precisamos, porque elas encontraram Jesus e ajudam os outros a encontrá-lo.
Tive a oportunidade de constatar como a Madre Teresa rezava na igreja diante do Santíssimo. É inesquecível. Nas sacristias das casas da Madre Teresa está escrito, para ajudar os sacerdotes: “Celebra cada Missa como se fosse a tua primeira, a tua única, a tua última Missa”. A Madre Teresa pediu que escrevessem isto para lembrar a todos os sacerdotes que celebram nas suas casas. É uma graça muito grande ver como a Madre Teresa rezava diante do Santíssimo!
A formação que recebemos no seminário ajuda muito. Me comovem profundamente, até o âmago, hinos como o Sacris Solemnis, o Pange Língua, o Lauda Sion. Vemos toda a teologia nestas palavras: a fé no Santíssimo, na Eucaristia… Quando eu canto o Pange Língua – “in supreme nocte Coene, recumbens cum fratribus, observata lege plene, cibis in legalibus, cibum turbae duodenae se dat suis manibus” -, eu sinto que Jesus está presente. “Suis manibus”, que nos dá o Santíssimo! Quando eu canto o Lauda Sion não posso conter as lágrimas, porque eu vejo a graça do Senhor: “Sumunt boni, sumunt mali, sorte tamen inaequali, vitae vel interitus. Mors est malis, vita bonis; vide paris sumptionis quam sit dispar exitus”. Trata-se de um tratado de teologia viva, narrativa.
Então, o que devemos fazer com a nossa vida? “Eucaristizar”. Transformar tudo em Eucaristia, para podermos ter o homem eucarístico, a Igreja eucarística, a terra eucarística, e assim toda a vida será Eucaristia. O mundo eucarístico da Igreja que crê, que espera, que guia, que está destinada à Restauração, que proclama a Trindade, que sempre renova o mundo, a sociedade. E estes são os meus bons desejos e a minha oração por todos vocês. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.
Nota: O Cardeal Van Thuan foi presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz. Faleceu em Roma no dia 16 de setembro de 2002, depois de uma dolorosa doença. Estas meditações foram pregadas nos exercícios espirituais dirigidos aos membros do Centro Pastoral Logos, em fevereiro de 2002. Seu processo de beatificação se encontra em fase diocesana.“
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No ensaio, o sacerdote jesuíta explicita os aspectos essencialmente espirituais deste vício, que conduz a atribuir ao dinheiro e coisas semelhantes “um valor simbólico exagerado”, transformando-os em “sinônimos de estima, paz, segurança e poder”.
A avareza, portanto, se identifica com “a cobiça e a ânsia por posses, que endurecem o coração e conduzem à presunção de autossuficiência, de se bastar a si mesmo e de nada mais precisar”.
Daí se compreende o aspecto religioso da avareza, sublinha Pe. Cucci, “pois o dinheiro oferece a ilusão de onipotência: o dinheiro, por sua natureza, confere uma autossuficiência que nenhum outro objeto pode fornecer. Para Péguy, constitui a única alternativa verdadeiramente ateia a Deus, porque dá a ilusão de que se pode obter tudo, de forma que qualquer realidade pode ser convertida em dinheiro, que por sua vez possibilita possuir qualquer coisa”.
Também Marx, ao analisar a mentalidade capitalista, salientou “o caráter de consagração de todo o próprio ser a uma realidade considerada absoluta, superior a qualquer outra”.
“A avareza, uma vez que não se refere a nenhuma necessidade do corpo nem a nenhum prazer corporal, busca uma satisfação de tipo afetivo, mas ao mesmo tempo intangível, ligada à imaginação”, explica o sacerdote.
Dessa forma se configura “como uma forma mundana de consagração a um ídolo, algo para o qual se está disposto a oferecer a própria vida, sacrificando para isso a própria liberdade e dignidade”.
De fato, o dinheiro, longe de pacificar, ao se tornar um fim em si mesmo gera sempre novos temores, ansiedades e inseguranças: “o medo de perder o que foi conquistado, medo de que um rival consiga um bem cobiçado, ou de ainda de ser superado na escala social, tornando vãos todos os esforços de uma vida”.
Outro sentimento típico do avarento é a tristeza, ligada à frustração de não poder nunca encontrar algo que o satisfaça, fazendo-o sentir-se cada vez mais indigente. De modo que o “estranho masoquismo” que caracteriza este vício está em pensar que “a única fonte de felicidade é na verdade aquilo que está por arruinar a própria vida”.
Além disso, há uma estreita ligação entre a avareza e a solidão: “o avarento se encontra somente em companhia de coisas, a única realidade na qual pode confiar”.
Assim, o melhor tratamento para o vício da avareza é a prática de “abrir mão do que se recebeu para o bem-estar dos outros”.
“Esta disposição – explica Pe. Cucci – promove o desejo de viver bem a própria vida, tornando a pessoa capaz de sacrifícios notáveis, uma vez que seu coração se torna sensível ao sofrimento e às necessidades dos demais”.
Paradoxalmente, escreve Pe. Cucci, talvez “no fundo da avareza se encontre este esforço sobre-humano de querer dar valor à própria existência, a merecer viver; uma forma doentia de auto-estima”.
Ao contrário, porém, “é no encontro com o outro, na relação, que o homem encontra a verdade de si mesmo”.
“A verdadeira riqueza, que de fato nos pertence, é aquele que se recebe ao se oferecer o melhor de si, tornando-nos assim participantes da generosidade abundante de Deus” – conclui.
“Somente doando é possível superar a solidão infernal na qual se aprisiona o avarento”.
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Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz:
- Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro…
O médico então perguntou: Muito bem.. O que a senhora quer que eu faça?
A mulher respondeu: Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.
O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher: Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.
A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.
Ele então completou: Veja bem minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco…
A mulher apavorou-se e disse: Não doutor! Que horror! Matar um criança é um crime.
Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la. O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no ventre materno.
O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!
ABORTO: ABORTE ESTA IDÉIA!
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Por Nieves San Martín
KANDHAMAL, quinta-feira, 29 de julho de 2010 (ZENIT.org) – A Irmã Meena, religiosa espancada e estuprada durante a sanguinária perseguição anticristã de Orissa em 2008, “é o símbolo da nossa luta, a testemunha da luz e da verdade”, afirma seu tio, Dom John Barwa.
A Irmã Meena Barwa, da ordem religiosa das Servidoras, desenvolvia sua missão no centro pastoral Divyajyoti, em Nuagaon, no distrito de Kandhamal, junto a um sacerdote, Pe. Thomas Chellan. A religiosa nasceu no distrito de Sambalpur e fez os votos perpétuos no último mês de abril.
No dia 25 de agosto de 2008, junto ao sacerdote com quem trabalhava no centro, ela foi agarrada, espancada, desnudada e obrigada a caminhar pela aldeia. Em um determinado momento, os fundamentalistas quiseram inclusive queimá-la viva junto ao sacerdote. Não o fizeram, mas a estupraram. Somente no final, à noite, enquanto continuavam sendo injuriados e maltratados, foram libertados pela polícia.
O caso chegou ao tribunal do juiz Bira Kishore Mishra. A comunidade cristã acusa as autoridades locais de conivência com os extremistas e o processo da Irmã Meena é visto como a justa oportunidade para demonstrar o desejo de justiça da população.
A religiosa, acrescenta o bispo, “cresce e se reforça diariamente, nutrida pela adoração eucarística, pela Missa e pelo terço. Certamente, às vezes cede a um sentimento de opressão, cansaço e dor; mas, graças à oração de toda a Igreja tribal, ela está se fortalecendo e superando esta crise”.
No último dia 23 de julho, foi seu aniversário: “Ela é valente e me anima em minha missão episcopal. A Irmã Meena está realizando os estudos da sua carreira acadêmica. Frequenta normalmente a universidade (onde ninguém sabe quem ela é) e viaja normalmente por meio do transporte público”.
Isso causa preocupação pela sua segurança: “Para mim, para nossa gente e para a Igreja de Orissa, ela é o testemunho da vitória da luz sobre as trevas”.
“É verdade – acrescenta – que todos aqueles que se cobrem de trevas não querem que a luz e a verdade possam vencer. Por isso, estou preocupado, e por isso devemos defendê-la, sem revelar onde se encontra, para preservar sua luz.”
O testemunho da religiosa deriva também das suas origens familiares tribais. Como explica o bispo, “viemos de uma família rural: minha casa estava na selva. E justamente dessa família tão comum, Deus escolheu a Irmã Meena para ser seu instrumento. A força, o valor e o testemunho da religiosa me incentivam a trabalhar e servir a Igreja, ainda que às vezes me sinto triste e sinto dor. Nós devemos tudo aos missionários: eles nos tiraram da selva e nos ajudaram a descobrir o divino. Deus tem um plano para a Irmã Meena e nada pode deter o avanço do seu projeto”.
No que diz respeito à proximidade do processo, Dom Barwa explica: “Perguntei diretamente à Irmã Meena se ela se sentia assustada ou com raiva, mas me respondeu que não. Ela busca justiça não somente para si, mas também para o nosso povo; mas não tem raiva”.
“Quanto à identificação dos culpados, ela me disse que é Deus quem a ilumina e que o Espírito Santo lhe dá a força para enfrentar esse momento. A última vez que nos encontramos antes de um momento semelhante, junto à sua superiora, celebramos uma Eucaristia maravilhosa: mais de três horas de oração com a Palavra de Deus e a Eucaristia que cura. Um dom de graça e paz para todos nós”, acrescentou.
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O prelado destacou a valentia dos jovens que decidem se dedicar ao serviço da Igreja, apesar dos incidentes relacionados com a religião, que em 2009, aumentou para 654 ataques, segundo o ministro de Assuntos Exteriores da Índia, Ajay Maken.
Indicou que todos os jovens conhecem a violência anticristã dos anos 2007 e 2008 no Estado de Orissa.
Foram assassinados sacerdotes e religiosas, “mas, apesar disso, continuam se apresentando para seguir esta vida santa”, destacou o bispo da Igreja Sírio-Malabar, uma igreja oriental em plena comunhão com o Papa.
Dom Chirayath também destacou o valor dos candidatos que se preparam para o sacerdócio e a vida religiosa, apesar de suas circunstâncias familiares e da crescente violência que a Igreja enfrenta.
Destacando como os cristãos se fortaleceram a partir das antigas raízes da Igreja Sírio-Malabar, o bispo afirma: “Nós somos filhos de São Tomé, parte de uma tradição de fé que se remonta há dois mil anos atrás”.
Segundo o prelado, a manutenção de devoções familiares como o terço também ajudou a estimular as vocações.
“Os jovens estão envolvidos em atividades sociais e religiosas, o que os inspira a ajudar os pobres e necessitados como sacerdotes ou religiosas.” O aumento do número de seminaristas levou a diocese de Sagar a abrir um seminário menor.
“Quando me converti em bispo, há alguns anos, não tínhamos seminário menor – recordou. Só havia quatro vagas para os estudantes, com o pároco.”
Então foi escolhido um lugar em Bararu, distante da residência episcopal, para construir dois dormitórios (cada um deles pode abrigar mais de 15 estudantes), quatro salas de aula, uma biblioteca ou pequenas salas para professores. Porém, o seminário, onde atualmente vivem 25 seminaristas menores, permanece inacabado e necessita de mais instalações, como uma capela e um refeitório.
“É um elemento essencial na formação de futuros sacerdotes – afirmou o bispo Chirayath. Sem um seminário menor, não podemos ter mais sacerdotes.”
A entidade Ajuda à Igreja que Sofre apoiará esses futuros sacerdotes doando 18 mil euros para a construção da capela do seminário, que poderá acolher mais de 60 pessoas.
“Em uma capela, podemos lhes dar formação litúrgica apropriada – explicou o bispo. Um lugar para rezar é muito importante, é central na formação litúrgica.”
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Dom Orani recorda que o Documento de Aparecida “possui uma página de ouro no capítulo quinto, dedicado à comunhão, onde afirma que na Igreja todos somos discípulos-missionários”.
“O Bispo é missionário de Jesus, Sumo sacerdote; o presbítero, de Jesus Bom Pastor; o diácono, de Jesus Servidor; os leigos e leigas, de Jesus Luz do Mundo; e os consagrados e consagradas, de Jesus Testemunho do Pai. Todos somos discípulos-missionários”, afirma.
Segundo Dom Orani, falar de discipulado-missão “é falar da centralidade e da dimensão constitutiva da Igreja”.
“Ontem, como hoje, Jesus segue chamando e enviando; e o seguimento é a atitude básica que se pode viver em diferentes formas na comunidade eclesial. Hoje, mais que em outros tempos, esse seguimento implica um estilo novo de vida no meio da sociedade”, afirma.
“O Papa nos disse – prossegue o arcebispo – que ‘Discipulado e missão são como as duas faces de uma mesma moeda: quando o discípulo está apaixonado por Cristo, não pode deixar de anunciar ao mundo que só Ele nos salva. Com efeito, o discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro’”.
O arcebispo recorda que, na Conferência de Aparecida, os bispos se questionaram sobre como eles vivem esta dimensão de ser discípulos-missionários.
“A esse respeito vêm à memória as palavras de Agostinho de Hipona: ‘Lembra-te que estás mais acima não porque sejas o primeiro. Mas, à frente, como o dono da vinha que constrói uma torre para poder ver melhor a vinha… Lembra-te que és servo dos servos de Deus’.”
Segundo Dom Orani, “também a vida religiosa é um dom do Pai, por meio do Espírito Santo, à Igreja; é um caminho especial do seguimento de Jesus; está convocada a ser discípula, missionária e servidora do mundo; é testemunho de que somente Deus basta para chegar à vida de sentido e de alegria”.
No campo da missão, as consagrada e consagrados “estão chamados a fazer um anúncio explícito do Evangelho, especialmente aos mais pobres, em seus lugares de presença, em sua vida fraterna e em suas obras”.
“Também estão chamados a colaborar, a partir de seus carismas fundacionais, na gestação de uma nova geração de discípulos missionários e de uma nova sociedade onde se respeite a justiça e a dignidade da pessoa humana. E, por último, está chamada a ser experta em comunhão, tanto no interior da Igreja como na sociedade.”
Na riqueza de vocações na Igreja – afirma Dom Orani –, “leigos, diáconos, presbíteros, bispos, consagrados, quero ressaltar que a maior, primeira e mais sublime vocação é a santidade”.
“Sem a santidade de vida e de estado nossa pregação é nula. Refeitos por um compromisso de anunciar o Evangelho, na vida própria de cada um, busquemos sempre novas formas para viver e dar testemunho da santidade, iluminando nossa vida com a nossa palavra e o nosso exemplo”, diz o arcebispo.
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ROMA, domingo, 1º de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Ao meio-dia deste domingo, o Papa rezou o Angelus com os peregrinos reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo. Estas foram suas palavras ao introduzir a oração mariana.
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Caros irmãos e irmãs,
nestes dias celebram-se as festas de alguns santos. Ontem recordamos Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus. Tendo vivido no século XVI, converteu-se lendo a vida de Jesus e dos santos, durante uma longa convalescença causada por um ferimento sofrido em combate. Ficou tão impressionado com aquelas páginas que decidiu seguir o Senhor. Hoje recordamos Santo Afonso Maria de Ligório, fundador dos Redentoristas, que viveu no século XVIII e foi proclamado patrono dos confessores pelo Venerável Pio XII. Ele percebeu que Deus quer todos santos, cada um segundo seu próprio estado. Nesta semana, a liturgia propõe também Santo Eusébio, primeiro bispo de Piemonte, ávido defensor da divindade de Cristo, e, finalmente, a figura de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, que guiou com seu exemplo o Ano Sacerdotal recém-concluído, a cuja intercessão novamente confio todos os Pastores da Igreja. Foi compromisso comum desses santos salvar as almas e servir a Igreja com seus respectivos carismas, contribuindo para renová-la e enriquecê-la. Esses homens adquiriram um “coração sábio” (Sl 89, 12), acumulando o que não se corrompe e descartando o que muda ao longo do tempo: o poder, a riqueza e os prazeres efêmeros. Escolhendo Deus possuíram tudo o que foi necessário, saboreando desde a vida terrena a eternidade (Ec 1-5).
No Evangelho deste domingo, o ensinamento de Jesus refere-se à verdadeira sabedoria e é introduzido pela pergunta de um dentre a multidão: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo” (Lc 12, 13). Jesus, respondendo, adverte os ouvintes quanto aos desejos de bens terrenos, com a parábola do rico insensato, que, tendo acumulado uma grande colheita e bens, deixaria de trabalhar e consumiria seus bens divertindo-se e iludindo-se de poder postergar a morte. “Mas Deus lhe diz: ‘Tolo! Ainda nesta noite, tua vida te será retirada. E para quem ficará o que acumulaste?’” Na Bíblia, o homem insensato é aquele que não se dá conta, a partir da experiência das coisas visíveis, que nada dura para sempre, mas tudo passa: tanto a juventude, como a força física, as comodidades como as funções de poder. Fazer depender a própria vida de realidades assim tão passageiras é, portanto, insensatez. O homem que, pelo contrário, confia no Senhor, não teme as adversidades da vida, nem sequer a inelutável realidade da morte: é o homem que conseguiu um “coração sábio”, como os santos.
Ao dirigir nossa oração a Maria Santíssima, desejo recordar outros fatos significativos: amanhã será possível receber a indulgência da Porciúncula ou o “Perdão de Assis”, que São Francisco de Assis obteve, em 1216, do Papa Honório III: na quinta-feira 5 de agosto, comemorando a Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, honraremos a Mãe de Deus aclamada com este título no Concílio de Éfeso de 431, e na próxima sexta-feira, aniversário de morte do Papa Paulo VI, celebremos a Festa da Transfiguração do Senhor. A data de 6 de agosto, considerada o cume da luz estival, foi escolhida para significar o esplendor da Luz de Cristo que ilumina o mundo inteiro.
[Após rezar o Angelus, o Papa saudou os peregrinos em diversos idiomas. Em português, disse:]
Queridos peregrinos de língua portuguesa: saúdo cordialmente a todos vós, de modo especial aos brasileiros de Piraquara. Que Deus manifeste sobre todos vós a Sua inesgotável bondade para que sejais renovados nos vossos bons propósitos de vida cristã. Que Deus vos abençoe!
[Traduzido por ZENIT